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01. Inspiração | Kohei Nawa

  • Writer: Armanda Baptista
    Armanda Baptista
  • Jan 2
  • 3 min read




Artista

Kohei Nawa


Projecto

Force


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Inspiração

O trabalho de Kohei Nawa, especialmente a instalação Force, inspira-me profundamente devido à sua exploração única das relações entre materialidade, perceção e a realidade que nos cerca. Nawa, ao combinar a tradição com as tecnologias inovadoras, desafia as fronteiras entre o real e o virtual, permitindo que os próprios materiais contem as suas histórias e revelem texturas e personalidades que vão além da simples estética visual.


A instalação Force é um exemplo notável do pensamento e da visão de Nawa. Neste trabalho, o artista aborda o conceito de gravidade como uma força poderosa que define a nossa existência. Inspirado por fenómenos invisíveis, como a gravidade e a inércia, Nawa desenhou um espaço imersivo onde essas forças se tornam visíveis e tangíveis.


Uma das características mais marcantes de Force é a utilização de óleo que cai do teto como fios aparentemente metálicos ou cordas. A escolha do óleo reflete a intenção de Nawa de revelar formas inesperadas de ver o líquido, transformando um fenómeno quotidiano, como chuva, numa experiência escultórica inovadora. A instalação sugere um universo em que os humanos estão entrelaçados nos ciclos de tempo, espaço e materialidade.


Para Nawa, o espaço é parte integrante da arte, funcionando como um meio que amplifica as sensações e perceções do observador. Em Force, o espaço foi desenhado num ambiente neutro que elimina o ruído urbano e permite uma ligação mais profunda entre a obra, as forças que representa e o espectador.


A experiência que tive ao ver Force em 2018, em França, foi particularmente transformadora. O som envolvente e a estética da instalação criaram uma sensação de hipnose que me absorveu completamente. À distância, os fios que pendiam pareciam feitos de areia, uma impressão reforçada pelo som que acompanhava o movimento do óleo a cair. Esse som, quase granulado, induziu uma reação espontânea em mim, levando-me a associar a textura visual do óleo a algo sólido e seco, como a areia. Só quando me aproximei é que percebi que o material fluido era, na verdade, óleo, uma revelação que me surpreendeu e mudou a minha perceção da obra.


A experiência de estar diante desta instalação foi profundamente transformadora. A queda ininterrupta do óleo, o ritmo controlado e a estética precisa da obra criaram em mim um estado quase hipnótico, onde me senti completamente absorvida pelo que estava a ver e ouvir. Era como se o tempo desacelerasse, transportando-me para um espaço introspectivo onde o mundo físico à minha volta deixava de existir. Essa imersão profunda levou-me a um estado de contemplação, quase meditativo. O meu cérebro, numa tentativa de atribuir significado ao que estava a experienciar, começou inicialmente por procurar a sua representação visual e estética, identificando padrões visuais criados pelas linhas, pelo ritmo, pela gravidade e pela continuidade. Posteriormente, começou a estabelecer conexões entre a obra e as minhas próprias memórias e vivências, gerando um diálogo interno, entre o que via, ouvia e sentia, e as associações pessoais que emergiam. Este processo fez-me perceber que a obra não era apenas uma experiência visual, mas também uma jornada emocional e reflexiva.


O que me inspira em Force é precisamente a maneira como Nawa transforma um fenómeno aparentemente banal em arte de grande profundidade. A peça propõe uma meditação sobre as forças invisíveis que nos afetam constantemente, criando uma experiência sensorial completa, onde o som, a matéria e o movimento se encontram para refletir sobre o nosso lugar no mundo. A instalação é, para mim, uma manifestação de como a arte pode explorar a natureza humana de uma maneira profundamente sensorial e emocional.


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