02. Gatilho - Projeto MAD
- Armanda Baptista
- Dec 21, 2025
- 2 min read
Updated: Mar 2
Introdução
No trabalho desenvolvido para o módulo de Média-Arte Digital, explorei o conceito de origem e erosão a partir da ideia “from dust to dust”. A areia surgiu como elemento central dessa investigação, não apenas enquanto matéria visual, mas como símbolo da formação, transformação e dissolução do ser humano.
Inspirada pela paisagem do deserto dos Emirados Árabes Unidos, que ao longo dos últimos doze anos passou a integrar o meu quotidiano, trabalhei a areia como metáfora da condição humana. A sua natureza instável e mutável tornou-se uma forma de refletir sobre o ciclo da vida, a fragilidade do corpo e a inevitabilidade da transformação.
Este projeto parte da vontade de aprofundar esse mesmo conceito, continuando a explorar a relação entre corpo e areia enquanto matéria que simultaneamente constrói e desagrega. Interessa-me investigar como a areia pode funcionar como linguagem visual e conceptual, tornando visível a ideia de que somos moldados por forças externas e pelo tempo, mas também facilmente reduzidos à sua matéria essencial.
Tecnologia e Desafios
Tendo interesse em aprofundar a utilização de ferramentas de inteligência artificial, vejo neste projeto uma oportunidade para expandir a experimentação iniciada anteriormente. A utilização de plataformas como o Runway e o Midjourney poderá integrar o processo criativo, permitindo explorar novas possibilidades visuais associadas à transformação da matéria.
Reconheço, no entanto, que trabalhar a areia como elemento central coloca desafios específicos, sobretudo na tentativa de traduzir a sua imprevisibilidade e organicidade através de meios digitais. A tensão entre controlo tecnológico e comportamento instável da matéria constitui, assim, um dos principais desafios conceptuais e técnicos deste projeto.
Conclusão
O trabalho desenvolvido em Média-Arte Digital consolidou a areia como elemento central da minha investigação artística. Mais do que um recurso visual, tornou-se uma matéria conceptual através da qual explorei origem, transformação e dissolução, reforçando a ideia de que o corpo é simultaneamente construção e desgaste.
A relação entre areia, corpo e tempo revelou-se particularmente significativa, sobretudo na forma como a transformação pode ser visualizada através de processos digitais. A utilização da inteligência artificial abriu novas possibilidades, mas também evidenciou a tensão entre controlo tecnológico e imprevisibilidade da matéria.
Este projeto acabou por funcionar como um dos principais gatilhos para o desenvolvimento da investigação atual. A necessidade de aprofundar a erosão enquanto processo, de explorar a presença física do corpo e de repensar a relação entre digital e material conduziu naturalmente à vontade de expandir este universo conceptual para uma dimensão instalativa e experiencial.



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