(Auto) Reflexão 02
- Armanda Baptista
- Dec 22, 2025
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Introdução
Inspirada pelo trabalho anteriormente desenvolvido em Média e Arte Digital e Videoarte (ambos partilhados no DDB), e pelo interesse progressivamente consolidado em torno dos temas da erosão, das origens conceptuais do ser humano e da sua relação com a natureza e os elementos, sintetizados na ideia “from dust to dust”, esta proposta dá continuidade a uma investigação artística que cruza experiência pessoal, paisagem e transformação. Esse interesse emerge de um percurso já explorado em contexto académico, onde a areia se afirmou como matéria simbólica central, associada simultaneamente à construção e à dissolução do humano, reforçando a noção de pertença aos ciclos naturais em torno da areia enquanto elemento simbólico e material, associada a processos de transformação, erosão e impermanência.
Nos trabalhos anteriores, estes temas foram abordados através da linguagem da videoarte, privilegiando abordagens sensoriais e contemplativas, recorrendo à sobreposição de imagens, à repetição e à manipulação do tempo como estratégias para evocar o conceito. Em paralelo, no âmbito de Média e Arte Digital, foi integrada a utilização de ferramentas de inteligência artificial, explorando a geração de imagens e vídeo através de prompts como forma de expandir e reinterpretar visualmente este universo conceptual, introduzindo uma dimensão híbrida entre criação artística e mediação tecnológica.
A presente proposta procura prolongar essa investigação, transpondo-a para uma instalação de carácter simultaneamente físico e digital, onde a imagem deixa de estar confinada ao ecrã e passa a ocupar o espaço. Através da articulação entre projeção, materialidade e presença do público, pretende-se explorar a erosão não apenas como fenómeno visual, mas como experiência espacial e perceptiva, mantendo uma abordagem poética, aberta e sensorial.
1. Características
1.1 Narrativa / desenvolvimento
O artefacto proposto não se estrutura como uma narrativa linear nem conduz o público a uma conclusão fechada. A abordagem é essencialmente atmosférica e sensorial, inspirada em práticas de videoarte e instalação visual contemporânea. O tema da erosão é explorado enquanto processo contínuo de natureza física, temporal e simbólica, mais do que como uma história com início, meio e fim.
A obra propõe um campo de experiência onde imagens em transformação lenta, a sobreposição de camadas e variações subtis convidam o público à permanência e à observação. Para além da videoarte, a proposta considera a integração de conteúdos desenvolvidos através de práticas de arte generativa e computacional, incluindo animações criadas com recurso a inteligência artificial. Estes conteúdos poderão introduzir variações visuais e comportamentos emergentes, mantendo uma lógica processual e não narrativa. A comunicação destes aspetos ocorre sobretudo através da materialidade da instalação, da repetição, da fragmentação da imagem e da relação entre projeção, espaço e corpo, evitando explicações narrativas explícitas.
1.2 Interação / evolução temporal
A interação entre o público e o artefacto pretende ser maioritariamente indireta e não instrumentalizada. A presença física dos visitantes influencia a perceção da obra através de sombras, deslocações no espaço ou pequenas perturbações no ambiente, sem existir um controlo consciente ou performativo sobre o sistema. Paralelamente, admite-se a possibilidade de alguns conteúdos visuais gerados computacionalmente poderem reagir ou ser ativados pela presença ou pelo movimento dos participantes.
A instalação pretende apresentar uma evolução temporal lenta e cíclica, baseada em loops de vídeo e variações subtis, mantendo uma identidade consistente ao longo do tempo. A experiência não depende de múltiplas interfaces tecnológicas nem de ações específicas, privilegiando uma relação simples entre imagem, espaço e presença humana.
1.3 Experiência / fruição
Para que o público possa fruir plenamente da experiência, basta a presença no espaço da instalação, sem necessidade de instruções prévias ou protocolos específicos. A experiência pode ser vivida de forma individual ou coletiva, sendo que cada visitante terá uma perceção ligeiramente distinta, dependendo do tempo de permanência, do ponto de observação e da relação espacial com a obra.
A instalação integra uma componente sonora concebida como um ambiente de sons granulados e de carácter ominoso, remetendo para processos naturais, geológicos e elementares. Esta paisagem sonora não assume um papel narrativo, funcionando antes como suporte atmosférico e reforçando a dimensão imersiva e sensorial da obra e a sensação de erosão contínua e transformação.
Não existe uma performance formal associada exigida ao público. No entanto, a simples circulação e permanência dos visitantes pode ser entendida como uma forma de participação silenciosa. A fruição ocorre de forma aberta, contínua e acessível, reforçando o carácter contemplativo e imersivo da instalação.
2. Desenvolvimento
Em contexto académico e artístico, é eticamente admissível recorrer à aprendizagem progressiva, à experimentação e à utilização de ferramentas existentes, desde que essas opções sejam assumidas de forma transparente. A média-arte digital implica frequentemente a articulação entre conceção artística e mediação tecnológica, mesmo quando o artista não domina todos os aspetos técnicos.
No meu caso, esta situação poderá traduzir-se no recurso a ferramentas de inteligência artificial, processos generativos e soluções técnicas acessíveis, exploradas como instrumentos de experimentação, mantendo a autoria conceptual e uma postura crítica sobre os meios utilizados.
Com o progresso e o desenvolvimento do conceito, tornar-se-á também mais claro se será necessário recorrer a apoio técnico mais especializado.


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