Esboços Conceptuais 1
- Armanda Baptista
- Jan 2
- 3 min read
Updated: Feb 25
IDEAÇÃO E EXPLORAÇÃO DO CONCEITO: À procura de um gatilho e intenção
Depois de apresentar uma proposta inicial para o PMAD a desenvolver, que pretende transpor para o mundo físico um universo já explorado em animação digital com recurso a inteligência artificial, no contexto de MAD e da Videoarte, decidi elaborar alguns estudos conceptuais com o objetivo de refinar a proposta e, simultaneamente, procurar um caminho para desenvolver e criar possibilidades de exploração do tema “Erosão e o Corpo”, transformando-o numa instalação artística.
Primeira Proposta:
"Inspirada pelo trabalho anteriormente desenvolvido em Média e Arte Digital e Videoarte (ambos partilhados no DDB), e pelo interesse progressivamente consolidado em torno dos temas da erosão, das origens conceptuais do ser humano e da sua relação com a natureza e os elementos, sintetizados na ideia “from dust to dust”, esta proposta dá continuidade a uma investigação artística que cruza experiência pessoal, paisagem e transformação. Esse interesse emerge de um percurso já explorado em contexto académico, onde a areia se afirmou como matéria simbólica central, associada simultaneamente à construção e à dissolução do humano, reforçando a noção de pertença aos ciclos naturais em torno da areia enquanto elemento simbólico e material, associada a processos de transformação, erosão e impermanência."
Esboço conceptual/Notas
Continuação de exploração do tema no contexto da instalação que quero desenvolver em PMAD:
A Erosão e o Desgaste do Corpo
A erosão enquanto processo contínuo, inevitável e silencioso, que atua simultaneamente sobre a matéria, o corpo e a identidade. Mais do que um fenómeno natural, a erosão é aqui entendida como metáfora do modo como o tempo e as forças externas moldam continuamente aquilo que somos e como pode representar o ciclo da vida: from dust to dust.
Os elementos que provocam a erosão: água, vento, pressão, fricção, contato repetido
Deslocamento, transformação e desgaste
A erosão natural: silenciosa e invisível no momento
Erosão = transformação contínua da forma
A ligação profunda entre erosão e o desgaste do corpo estão ligados porque ambos são processos lentos, acumulativos e inevitáveis, que não acontecem por um único evento, mas pela repetição de pequenas forças ao longo do tempo.
O corpo como uma topografia viva e efémera
O corpo como matéria erodível
Condição existencial
Vulnerabilidade do corpo
Materialidade conceptual: A Areia
A areia como matéria simbólica de erosão e transformação. A areia que se acumula e se dispersa em torno do corpo evoca a fragilidade da identidade e a natureza transitória da existência.
As marcas deixadas na areia que são efémeras e dissipam-se rapidamente, tornando visível a instabilidade inerente ao processo de erosão
A areia como casulo efémero
Materialidade conceptual: A Água
A água como escultora da erosão e fonte de vida.
Conexões contextuais entre erosão e outros conceitos:
Memória e erosão: A memória não se acumula intacta, desgasta-se, altera-se, perde contornos. Memória como erosão interna. O corpo carrega memórias que o moldam sem serem visíveis.
Tempo, ciclo da vida e erosão: A erosão não é o oposto da vida. É o modo como a vida atua sobre a matéria.
Explorar visualmente a erosão do corpo:
A areia de desgasta: A areia funciona como elemento simbólico que representa o desgaste do corpo humano, à semelhança do modo como, na natureza, a própria areia é o resultado do desgaste contínuo da rocha ao longo do tempo. A areia reorganiza-se continuamente.
Corpo como negativo (ausência): a areia que se acumula a volta do corpo ausente. O corpo aparece como um vazio, um molde, um sulco. O corpo é visível pela ausência de matéria, tal como uma pegada na areia.
Como explorar fisicamente / corporalmente - experiência e interação:
O corpo passa a habitar a obra.
Permanência = transformação:
Quem passa rapidamente vê pouco.
Quem fica mais tempo vê o desgaste acontecer.
Mais seguirá.



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