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01. Relatório: Inspiração

  • Writer: Armanda Baptista
    Armanda Baptista
  • Mar 1
  • 3 min read

Updated: Mar 4


1. Introdução

No âmbito do presente Diário de Bordo, procuro refletir sobre as referências artísticas que têm vindo a informar o desenvolvimento conceptual do meu projeto de Média-Arte Digital. Este registo não se limita à identificação de influências, mas constitui um exercício de análise crítica das obras que, por afinidade estética e conceptual, dialogam com as questões que pretendo explorar.


As obras de Paul Sermon e Kohei Nawa surgem neste contexto como referências estruturantes, não apenas pelo seu valor artístico, mas pela forma como articulam tecnologia, corpo, espaço e fenómenos invisíveis. Através da análise destas obras, procuro compreender que dimensões conceptuais, relacionais e estéticas ressoam com a minha investigação e de que modo contribuem para clarificar a direção do meu próprio projeto.


2. Inspiração

Na procura de inspiração, voltei a centrar a minha atenção na obra Telematic Dream, de Paul Sermon de 1992 (Figura 1), que já tinha integrado no meu DDB no ano letivo anterior. Sem conseguir explicar inteiramente porquê, sinto que há algo nesta obra que ressoa de forma persistente, levando-me a regressar a ela e a considerá-la como uma referência relevante para o meu projeto.


Numa análise mais introspectiva, o que mais me atrai é a sua profundidade conceptual e a dimensão relacional que convoca, em particular a forma como constrói intimidade entre corpos distantes através de mediação tecnológica. A obra configura um dispositivo funcional em que a proximidade emocional se torna possível apesar da distância física, evidenciando a tecnologia não como barreira, mas como condição de ligação e de presença expandida.



Figura 1: Telematic Dream, de Paul Sermon
Figura 1: Telematic Dream, de Paul Sermon


Outra fonte de inspiração é a obra Force, de Kohei Nawa de 2015 (Figura 2). Esta obra inspira-me pela forma como torna perceptíveis fenómenos normalmente invisíveis, como a gravidade e a inércia, e pela sua aparente simplicidade formal, que capta imediatamente a minha atenção. Contudo, é sobretudo a sua estética minimalista que me marca, demonstrando como uma linguagem reduzida pode desencadear uma resposta emocional profunda.


Neste trabalho, Kohei Nawa (2015) explora a gravidade como uma força estruturante da existência, tornando visíveis dinâmicas que habitualmente permanecem impercetíveis. Ao desenhar um espaço imersivo onde essas forças se tornam tangíveis, sugere um universo em que o humano se encontra entrelaçado com ciclos de tempo, espaço e materialidade. Evidenciam-se, assim, os conceitos de temporalidade e da dimensão invisível da condição humana, das suas emoções, tensões e vulnerabilidades.



Figura 2: Force, de Kohei Nawa
Figura 2: Force, de Kohei Nawa


3. Conclusão

Nesta fase inicial do processo, encontrava-me ainda sem uma direção claramente definida para o desenvolvimento do projeto. Perante essa indefinição, optei por me concentrar nestas duas obras, procurando nelas não apenas referências formais, mas possíveis pistas conceptuais que me ajudassem a identificar um tema ou um eixo de investigação a aprofundar. Esta escolha mais restrita está também relacionada com o meu próprio modo de trabalhar, pois sinto que, quando pesquiso em excesso ou recorro a demasiadas referências em simultâneo, tendo a dispersar-me e a perder clareza no processo. Por isso, preferi delimitar o campo de inspiração a estas duas obras, precisamente por terem um significado particular para mim e por mobilizarem dimensões que me interpelam de forma consistente, como a relação entre tecnologia e intimidade, bem como a exploração de forças invisíveis e da temporalidade. Ao regressar a estas referências, procurei criar um ponto de ancoragem que me ajudasse a orientar o pensamento e a ganhar foco na definição do caminho conceptual do projeto.



4. Lista de Figuras


Figura 1

Obra: Telematic Dreaming, Paul Sermon


Figura 2

Obra: Force, Kohei Nawa

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